Imoralidade

Certo dia fui repreendida por uma amiga, super conservadora, ao afirmar que sentia um orgasmo toda vez que descia do ônibus “expresso 3141,  linha Parque D. Pedro II – terminal São Mateus.

– você não deveria falar esta palavra imoral!  – disse ela.

-Imoral? Imoral é a condição dos usuários do transporte coletivo desta cidade. Respondi eu.

– Principalmente os que se utilizam desta linha.

– Todos os dias, ao sair da Universidade, por 40 minutos, tempo maior que o do trajeto a percorrer entre a escola e minha residência (30 minutos), eu e uma multidão de alunos esperamos pelo bendito ônibus, que mesmo antes de chegar ao ponto, ainda no farol, é invadido pelos estudantes que depois de um árduo dia de trabalho, enfrentaram as aulas e agora anseiam por um merecido descanso em seus lares. Devido ao longo espaço  de tempo entre um carro e outro, eles estáo sempre lotados. A maioria das pessoas estão  mal humoradas, irritadas, e fazem de qualquer esbarrãozinho motivo de discussão. Como é impossivel  não se esbarrar em alguém  num ônibus lotado como aquele, quase todos os dias acontecem discussões, sendo que muitas vezes o motorista é obrigado a levar todos para a delegacia, o que além de desagradável acaba atrasando a nossa fatigante jornada.  

Dos muitos fatos que presenciei no mencionado meio de transporte, tendo como testemunha, os usuários e suas sacas de cebola, batata, milho, limão, e outros produtos,  sobras do que foi levado para ser vendido no centro da cidade, um dos mais marcantes é o que vou contar agora.

Quando entrei no ônibus percebi que o motorista discutia com uma senhora maltrapilha, aperentemente carente,  dotada de poucos recursos financeiros. Ele pedia que ela descesse do veículo uma vez que já havia feito mesmo a sujeira.  A senhora humildemente obedeceu. Os comentários que corriam dentro do ônibus, eram de que a senhora, acometida por uma forte diarréia, pediu que o motorista parasse fora do ponto para que ela pudesse descer e encontrar algum estabelecimento que disponibilizasse de um banheiro , no qual ela pudesse aliviar o seu lado. Porém o motorista, devido  ao risco de acidente e outras implicações que teria ao parar no meio de um trânsito tão complicado, não acatou o pedido da pobre senhora, que não resistindo mais, soltou tudo que tinha direito, ali mesmo, no banco de passageiros. Mesmo com um cheiro insuportável ,a cada parada, subiam os usuários, se empurrando, disputando o tão almejado banco vago para dele se apropriar. . E então, antes que o fato fosse consumado, a galera gritava: – Cuidado, não senta, melô, tá sujo. E todos caiam na maior gargalhada. Foi esta palhaçada a viagem inteira . Eu ri tanto neste dia que por pouco não repetia a façanha da protagonista da história.  

Esta história não é menos cômica que a situação que  vivemos  diariamente no trânsito de nossa cidade.  Faço uso dela, não só para diversão, mas também para reflexão.

Você já parou para pensar porque os meios de tranportes desta cidade são tão precários?

Porque a venda de automóveis crescem a cada dia?

O que é mais valorizado: o bem estar dos usuários ou os altos impostos pagos pelos fabricantes e proprietários dos veiculos?

O que podemos fazer para amenizar estes problemas? 

Envie seus comentários e sugestões para que juntos possamos encontrar soluções e quem sabe ajudar a cidade de São Paulo enfrentar os problemas das más condições de transporte público, trânsito e desrespeito ao cidadão.

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1 Response so far »

  1. 1

    Comprei meu carro exatamente por causa do transtorno que é usar transporte público em uma grande cidade.
    Moro na região metropolitana do Rio de Janeiro e o transporte aqui é o caos! Ônibus, metrô e trêm superlotados fazem os usuários sofrerem todos os dias. E cada vez mais pessoas compram carros e motos e colocam nas ruas para se livrar do desconforto de ficar horas em pé ou sentados nos ônibus e trêns. Com isso, mais e mais carros ajudam a aumentar as filas de engarrafamentos nas avenidas e rodovias.
    Tenho acordado cada vez mais cedo e chegado cada vez mais tarde ao meu destino.
    Como escreveu um amigo em seu blog Caixa do Magaldi (http://caixadomagaldi.blogspot.com), cabe planejamento estatal para manter as empresas nas regiões de onde a mão de obra é originária. Se as empresas fossem para os subúrbios bem preparados, teríamos menos engarrafamentos e transportes melhor dimensionados.
    Diante do quadro atual, eu mesmo escrevi um texto no blog Caras Que Acreditam que fala de como utilizar melhor o tempo de deslocamento. Não é bem uma solução, está mais para um paliativo para a inevitável perda de tempo nos transportes públicos.


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