Argila e estimulação neuropsicomotora

18-11-10_1209

Brinque com argila com os alunos e propicie uma experiência riquíssima. A argila por ser uma material maleável e fluído, permite a criança a ter um maior contato com os sentidos, liberar seus movimentos, desenvolver a percepção, a psicomotricidade: fatores importantes na sua formação.

Assim como os músculos são exercitados, os neurônios
podem ser trabalhados para aumentar o número de
ligações nervosas e conseqüente incremento
da função cerebral”

Rose Koyashiki

Leia o artigo e tenha as suas conclusões:

Argila como instrumento de estimulação neuropsicomotora

Artigo transcrito do Jornal da UEM – Universidade Estadual de Maringá

 

 

O Ateliê de Escultura em Argila, que funciona na UEM desde 1998, tem uma proposta inovadora: utilizar o trabalho com argila como instrumento de estimulação neuro-psicomotora, dentro do conceito da neuroplasticidade. Embora carregue um nome complicado, a neuroplasticidade é a capacidade de as células cerebrais, neurônios, modificarem-se, adaptarem-se, reorganizarem-se e criarem novas vias neurais. Isso significa que, em casos de danos por doenças ou traumas, os neurônios lesados podem ser substituídos pelos vizinhos, que assumem as funções das células afetadas. Cada estímulo pode resultar em novas aprendizagens, que ficarão registradas na morfologia do sistema nervoso, em forma de sinapses, segundo o professor Marcílio Hübner de Miranda Neto, citado por Valmir Batista da Silva, coordenador do Ateliê. Assim como os músculos são exercitados, os neurônios também podem ser trabalhados para aumentar o número de sinapses, ou seja, as ligações entre as células nervosas. Quanto maior a sinapse, maior a eficiência do processamento de informações no cérebro.

Tensões liberadas – Valmir da Silva explica que, ao trabalhar com argila, a área frontal do cérebro, responsável pelo planejamento das ações, e a área motora, responsável pelo movimento intencional, são diretamente estimuladas. Como resultado, a pessoa tem suas tensões liberadas e apresenta interação criativa, domínio motor, auto-expressão, interação lúdica, expressão da forma tridimensional e desenvolvimento interpessoal. Nesse projeto, também são utilizados os preceitos da arte-terapia, que surgiu para promover a estruturação psíquica pela arte.

Os resultados da iniciativa são animadores. Edvan Dias de Souza, 33 anos, é um exemplo. Ele nasceu com paralisia cerebral e teve uma lesão na área ligada à parte motora que afeta seus movimentos e a fala. Iniciou no projeto em 1998 como aluno e hoje ensina as técnicas de modelagem e escultura, tanto no projeto como no Centro de Vida Independente, que funciona no Bloco 14 do câmpus universitário. No ano passado, entre 100 inscritos, figurou entre os 20 selecionados para a Mostra Paranaense de Artes Visuais. Seus trabalhos, assim como o de outros artistas do Ateliê, ganharam um espaço na loja Bem Brasil, uma forma de ganhar visibilidade.

Auto-estima - Valmir da Silva, que é psicólogo, relata que o desenvolvimento de Edvan de Souza foi registrado por meio de suas obras, que mostram a evolução estética e o domínio das técnicas utilizadas. Mas não foi só a parte artística que apresentou melhoras. Houve, ainda, ganhos social, psíquico e motor, como o reconhecimento de seu talento pelo público, a inclusão social, o incremento na auto-estima, a autodeterminação e autonomia. Silva lamenta que a evolução cerebral não tenha sido quantificada por meio de exames sofisticados, como a tomografia computadorizada, por falta de recursos. Mesmo assim, ressalta que é possível ver que houve evolução motora pelas obras. No início, elas eram mais rústicas, toscas, agora, apresentam formas tridimensionais mais elaboradas e movimentos simétricos, firmes, definidos.

Edvan de Souza também aceita encomendas. Atualmente desenvolve a escultura Dança dos Cisnes para uma senhora. Seu estilo preferido é o abstrato, com expressão geométrica, com poucos detalhes, com um “pé” no cubismo e outro na arte contemporânea. Mas faz também peças utilitárias, como vasos e jarros. Sua obra preferida é O Abraço, que já foi vendida. Sua recompensa é ver as pessoas admirando seus trabalhos e tentando entendê-los.

O projeto é aberto também a pessoas sem deficiência motora. Fábio Cisneros Corveloni, aluno do 2º ano de Geografia na UEM, freqüenta o Ateliê desde 2003. Para ele, a atividade com argila ajuda a relaxar, acalmar e estimula a criatividade. Embora comercialize algumas obras, confessa que é difícil se separar delas. Prefere mantê-las para si ou dar para amigos. Corveloni gosta de passear pelo universo místico, surreal. Seus trabalhos preferidos são dragões, seres sobrenaturais, guerreiros medievais. Também participou da Mostra Paranaense de Artes Visuais no ano passado. Diz que não pensa em fazer da escultura sua profissão, mas também não descarta a possibilidade. Sua obra preferida é Amor ou Ódio.

Mudança de foco - Valmir da Silva relata que, quando iniciou o projeto em 98, sua intenção era um espaço para trabalhar a arte. Depois de começar o curso de pós-graduação em Ciências Morfofisiológicas na UEM, o foco mudou. O objetivo passou a ser um espaço para desenvolver o indivíduo nos aspectos neurológico, psicológico e motor. A modelagem em argila auxilia a pessoa a se reorganizar internamente, a reestruturar-se psiquicamente, a adquirir autoconfiança e auto-estima, a detectar e descobrir potencialidades, além de estimular a formação de novas sinapses e de trabalhar os movimentos mais finos.

O coordenador do projeto ressalta que, em momento algum, interfere na produção dos alunos. Simplesmente, repassa as técnicas utilizadas na modelagem e escultura. Para ele, todos têm condições de fazer esculturas. O problema é que o acesso às práticas artísticas não é disponibilizado no processo de formação, no processo educativo. Diz que a criatividade se disponibiliza pelo oferecimento de espaço com atmosfera acolhedora e receptiva, com liberdade, sem interferência ou julgamento dos trabalhos, onde as pessoas possam expressar-se livremente. Acrescenta que criativi-dade é a oportunidade de auto-expressão, bastando apenas ambiente propício, materiais e técnicas de manipulação dos materiais para que ela aflore e cresça.
O Ateliê recebe apoio de infra-estrutura do Diretório Central dos Estudantes e materiais da Sociedade Éticamente Responsável.

Experiência positiva

A experiência com a argila está sendo empregada fora da UEM pela pedagoga Silvia Mara da Silva entre crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem. A atividade é um sucesso. Silva, que participou do Ateliê de Escultura durante três anos, relata que a argila é um ótimo instrumento no desenvolvimento das pessoas em vários aspectos, quando utilizado de forma sistemática. “A modelagem em argila promove uma estimulação cerebral, a criação de novas redes neurais, e os benefícios incluem melhoras na auto-expressão, na coordenação motora fina, na organização do pensamento, na auto-estima, no relacionamento interpessoal”, enumera.

Silva, que atua na área de neurociência e arte-educação, diz que as melhoras podem ser notadas em curto prazo – a partir de três meses – e em qualquer faixa etária. Aponta que o trabalho parte de situações lúdicas voltadas para o aprendizado tanto da leitura como da escrita.

18-11-10_121018-11-10_121118-11-10_1212

Vamos praticar em sala de aula:

Materiais:

-argila;

-jornal;

-copo descartável e água;

-cola colorida;

-tintas variadas;

-palitos de sorvete verdes;

-crepon;

-pincel.

Com a ajuda dos alunos, cubra as carteiras e fale a importância de manter a sala em ordem e não sujar o ambiente.

Dê a argila para cada aluno e fale para manusear como quiserem. Palitos são ideais para abusarem da criatividade.

Com a sua ajuda, motive-os a fazerem vasinhos de flores.

Ajude-os a escreverem seus nomes nos vasos e deixe secar por alguns dias.

Faça as flores com papel crepon.

Dependendo da idade do aluno, você terá que fazer e ele observará.

Corte do crepon (enrolado) em formato de pétala. Passe fita dulpe face no patito e comece a enrolar o crepon cortado. A parte cortada para cima, dando o formato de flor. Quanto estiver bem cheia, você pode cortar o excesso.

Faça pingos com cola colorida em formatos de flores no vaso depois de seco e pintado.

Os dedinhos com tintas podem fazer flores e decorar ainda mais!

Presenteie a mamãe com seu vasinho lindo!

Beijoss! Volto jáSmiley piscando

About these ads

6 Respostas so far »

  1. 1

    Rosana said,

    Adorei está reportagem, pois nos mostra como é importante desenvolver a estimulação neuropsicomotora. um grande abraço,Rosana.

  2. 3

    Josse said,

    Adorei esta matéria e pude perceber que este trabalho com argila também pode ser realizado com os alunos da EJA, pelo fato de como informou o psicologo Valmir da Silva, que trabalhar com argila, estimula os dois lados do cérebro liberando as tensões, pode ajudar a querar a resistência do aluno idoso em participar de atividades lúdicas.
    Beijos, Josse

  3. 4

    viviane said,

    gostei dessa matéria vou usar no meu plano aula.

  4. 5

    Ana Cristina said,

    Adorei esta matéria, moro em Guarujá São Paulo e sou artísta plastica e cerâmista, ha dez anos trabalho com inclusão social de pessoas portadoras de necessidades especiais, minha oficina e de cerâmica e durante estes dez anos pude perceber esses resultados. Gostaria muito de podermos trocar outras ideias sobre esse tema. bjs

  5. 6

    silviasantos said,

    achei muito interessante o trabalho com argila gostaria de saber mais por favor me mande mais informacao meu imail silviaregina129@gmail.com


Comment RSS · TrackBack URI

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

%d blogueiros gostam disto: